50 Motivos para evitar uma cesariana desnecessária

 

(construído pelos membros da lista Parto Nosso, revisto pelo Dr. Jorge Kuhn, publicado pela Igrid Lotfi e adaptado pela doula Rosa Macedo)

Riscos da cesariana:

Para o bebé:

1. Risco de complicações e desconforto respiratório

2. Maior demora para a descida do leite

3. Maior probabilidade de aspiração com cânulas após o parto (vias aéreas e orais)

4. Risco de morte dez vezes maior, se for uma cesariana desnecessária

5. Grandes hipóteses de ficar longe da mãe após nascer

6. Maior risco de infecção por aspiração de mecónio

7. Maior dificuldade no aleitamento

8. Maior hipótese de desmame precoce

9. Lesão na hora da cesariana

10. Maior risco de morte inexplicável no final da gestação seguinte

11. Dificuldades de vínculo com a mãe

12. A mãe pode precisar de analgésicos fortes para aliviar a dor no pós-parto e estes podem passar para o bebé através do leite

13. Maior risco de internamento em UTI (urgência)

Para a mãe:

14. Risco de ruptura uterina aumentada no próximo parto, caso sejam utilizadas ocitocina artificial no soro e/ou anestesia

15. É difícil encontrar um médico que faça partos normais após cesarianas, pois são dependentes das drogas citadas acima

16. Risco de morte quatro vezes maior

17. Risco de infecção hospitalar

18. Pós-parto demorado e/ou doloroso

19. Após a cirurgia: maior desconforto e dor; maior dependência de outras pessoas para cuidar do bebé

20. Dificuldades para engravidar e maior risco de infertilidade posteriormente

21. Maior risco de endometriose

22. Maior risco de hemorragias, transfusões e morbidades provocadas por transfusões

23. Sensibilidade na cicatriz a longo prazo (comichão, dor, sensação de estiramento etc.)

24. Dormência na região entre a cicatriz umbilical e o corte cirúrgico

25. Formação de aderências

26. Aumentam as hipóteses do próximo parto ser cesariana

27. Lesão no intestino na hora da cesariana

28. Maior risco de trombose e doenças correlatas (incluindo embolia)

29. Maior risco de acidentes com anestesia

30. Risco da anestesia não pegar e ter que fazer uma anestesia geral

31. Maior incidência de Inserção Baixa de Placenta (Placenta Prévia)

32. Maior hipótese de Acretismo Placentário (a placenta penetra mais profundamente no útero)

33. Histerectomia (perda do útero) devido ao sangramento

34. Maior necessidade de transfusão sanguínea

35. Morte materna devida à hemorragia, consequente a inserção baixa de placenta

36. Maior risco de atonia uterina (o útero não contrai adequadamente após o nascimento)

37. Maior risco de embolia pulmonar

38. Maior risco de trombose venosa profunda

39. Numa próxima gravidez a grávida não será mais de baixo risco

40. Risco de re-internação e re-operação por infecção da cicatriz e/ou deiscência de pontos, sangramentos etc., com consequente afastamento do bebé

41. Dificuldades de vínculo com o bebé

42. Não realização da plenitude da maternidade

43. Maior risco de depressão pós-parto. Caso a cesariana tenha sido feita antes do trabalho de parto, marcada com antecedência, além dos riscos acima podemos adicionar:

44. Risco maior de prematuridade do bebé

45. Um desrespeito monstruoso e uma tremenda violência para com a mãe e para com o bebé, quanto ao ciclo do processo

46. A perda da oportunidade da primeira descoberta de sua própria força e capacidade de luta

47. A perda da energia que estava guardada para o momento do parto, o que gera frustração

48. A perda da oportunidade de viver uma situação que lhe daria noção de foco, de fazer esforço numa dilecção e sentido correcto

49. Quem convive com essas consequências de uma desne-Cesariana, geralmente aprende as verdades da vida de uma forma muito mais dolorosa e demorada

50. Segundo os astrólogos (para quem gosta esse tema), o bebé nasce com uma dualidade na personalidade (situação astrológica natural x situação astrológica forçada)

 

 

Indicações médicas reais e falsas indicações para fazer uma cesariana

 

Reais (lista compilada pela obstetra brasileira Melânia Amorim).

1)Prolapso de cordão – com dilatação não completa;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;
3) Placenta prévia completa (total ou centro-parcial);
4) Apresentação córmica (situação transversa);
5) Rutura de vasa praevia;
6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.

Podem acontecer, mas são frequentemente diagnosticadas de forma errada

1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);
2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "frequência cardíaca fetal não-tranquilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anómalos de frequência cardíaca fetal);
3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma. Pode ocorrer parada secundária da dilatação ou parada secundária da descida.

Situações especiais em que a conduta deve ser individualizada, considerando-se as peculiaridades de cada caso e as expetativas da grávida, após informação.

1) Apresentação pélvica;
2) Duas ou mais cesarianas anteriores (o risco potencial de uma rutura uterina – em torno de 1% - deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infeção e maior chance de histerectomia);
3) HIV-AIDS (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de rutura de membranas, individualizar casos.

Algumas desculpas frequentemente utilizadas pelos profissionais para realizar uma cesariana desnecessária

1. Circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeã – essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
2. Tensão arterial alta
3. Tensão arterial baixa
4. Bebé que não encaixa antes do trabalho de parto
5. Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a grávida ter entrado em trabalho de parto
6. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
7. “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
8. Trabalho de parto prematuro
9. Grumos no líquido amniótico
10. Hemorroidas
11. HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto)
12. Placenta grau III
13. Qualquer grau de placenta

14. Incisura nas artérias uterinas
15. Aceleração dos batimentos fetais
16. Cálculo renal
17. Dorso à direita
18. Baixa estatura materna
19. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
20. Obesidade materna
21. Gastroplastia prévia
22. Bebé “grande demais” (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal).
23. Bebé “pequeno demais”
24. Cesariana anterior
25. Plaquetas baixas
26. Clamídia, ureaplasma e micoplasma
27. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina
28. Edema de membros inferiores/edema generalizado
29. “Falta de dilatação” antes do trabalho de parto
30. Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebés “superdesejados” teriam melhor prognóstico com a cesariana) – motivo pelo qual os bebés de proveta no Brasil muito raramente nascem de parto normal
31. Gravidez não desejada
32. Idade materna “avançada” (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
33. Adolescência
34. Prolapso de valva mitral
35. Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal)
36. Diabetes mellitus clínico ou gestacional
37. Bacia “muito estreita”
38. Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio)

39. Parto “prolongado” ou período expulsivo “prolongado” (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia)
40. “Pouco líquido”
41. Artéria umbilical única
42. Ameaça de chuva/temporal na cidade
43. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana
44. Fratura de cóccix em algum momento da vida
45. Conização prévia do colo uterino
46. Eletrocauterização prévia do colo uterino
47. Varizes na vulva e/ou vagina
48. Obstipação (prisão de ventre)
49. Excesso de líquido amniótico
50. Anemia falciforme
51. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra)
52. Trombofilias
53. História de trombose venosa profunda
54. Bebé profundamente encaixado
55. Bebê não encaixado antes do início do trabalho de parto
56. Endometriose em qualquer grau e localização
57. Prévia exérese de pólipos intestinais por colonoscopia
58. Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem)
59. Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas
60. Infeção urinária
61. Anencefalia
62. Qualquer malformação fetal incompatível com a vida
63. Trissomia 21 (síndrome de Down) e qualquer outra cromossomopatia
64. Malformação cardíaca fetal

65. Escoliose
66. Fibromialgia
67. Laparotomia prévia
68. Abdominoplastia prévia
69. Ser bailarina
70. Praticar musculação ou ser atleta
71. Sedentarismo
72. Miscigenação racial (pelo “elevado risco” de desproporção cefalopélvica)
73. Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada
74. Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século)
75. História de cesariana na família
76. Feto com “unhas compridas”
77. Suspeita ecográfica de mecónio no líquido amniótico
78. Hepatite B e hepatite C
79. Anemia ferropriva
80. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
81. Tabagismo
82. Varizes uterinas
83. Feto morto
84. Cirurgia gastrointestinal prévia
85. Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez
85.Colostomia
86. Gestação gemelar com os dois conceptos em apresentação cefálica
87. História de depressão pós-parto
88. Uso de antidepressivos ou antipsicóticos
89. Hipotireoidismo
90. Hipertireoidismo
91. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior
92. Colestase gravídica
93. Espondilite anquilosante
94. História de cancro de mama ou cancro de mama na gravidez
95. Hiperprolactinemia
96. Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)90. Hipertireoidismo
91. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior
92. Colestase gravídica
93. Espondilite anquilosante
94. História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez
95. Hiperprolactinemia
96. Síndrome de Ovários Policísticos (SOP) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;